Por quê ?

2009                                                                      2016

Após terminar a faculdade em 1992, tive uma vida bastante agitada e estressante por conta do trabalho, como era de se esperar em uma cidade grande como São Paulo. Perdia pelo menos 3 horas diárias, somente para locomoção de ida e volta para o escritório.

Pelo o que eu me lembro, depois de ter parado de jogar futebol lá pelos meus 20 anos, nunca mais tinha praticado algum esporte com mais regularidade. Algumas vezes me arriscava entrando em uma academia para ter um certo condicionamento físico, mas logo era vencido pela falta de tempo e disposição do dia-a-dia.

Não posso reclamar da minha vida profissional, mas isso acabou fazendo com que eu deixasse um pouco de lado a minha saúde. Quando se é mais novo temos a sensação que somos super-poderosos e que nada vai acontecer com a gente.

Em 2004, após várias vindas a passeio para Santa Catarina, decidi fugir daquela vida paulistana e tentar ter uma uma qualidade melhor aqui na grande Florianópolis, pois do jeito que ia não sei se duraria muito tempo por lá. Por aqui no início as coisas também não foram tão fáceis como eu imaginava e novamente entrava naquela vida agitada.

Foi a partir de 2007, que após passar por um problema crônico de stress, me deixando afastado por quase um mês do trabalho, comecei a prestar mais atenção a minha saúde. Um diagnóstico de pressão alta e um coração, segundo o cardiologista, com funcionalidade bastante debilitada, como a de um idoso,quando na verdade eu tinha apenas 37 anos, me fez repensar seriamente na vida. Além disso, ainda estava com sobrepeso e colesterol alto, com total falta de disposição e cansaço.

Naquela época meu filho estava com dois aninhos e logo me veio na mente a possibilidade de não poder estar ao seu lado nos próximos anos, o que me deixou apavorado.
Pensei, agora eu moro em lugar que favorece a prática de caminhada e corrida. Não tenho mais desculpas para fugir disso. Comecei então a fazer as minhas primeiras caminhadas. Muito leigo no assunto ainda ia pesquisando a respeito pela internet e revistas. Na época eu estava com o pico do meu peso, beirando os 90 Kg.

Iniciei caminhando por cerca de 3 meses. Algo em torno de 30 a 40 minutos, umas 3 vezes por semana. No começo doía toda a musculatura e eram pouco mais de 2 Km. Mas aos poucos fui me acostumando e o organismo também. Decidi então arriscar a fazer os primeiros trotes. Ficava observando as outras pessoas que pareciam correr com certa tranquilidade pela beira mar. No início, mal conseguia correr 100 metros, me sentindo um fracassado. Ficava de língua de fora e extenuado.


Persisti, não desisti. Aos poucos fui conseguindo intercalar a minha caminhada com os trotezinhos. No começo andava bem mais que corria. Mas aos poucos fui invertendo essa situação e já estava mais correndo que andando. Com isso fui conseguindo reduzir o meu peso e ficando mais animado.

Um dia vi pela TV uma chamada sobre a Maratona de Santa Catarina, que também teria a modalidade de 10 Km. Resolvi então fazer um caminho sem volta. Fiz a inscrição na minha primeira prova de 10 Km, sem nem ter participado de alguma outra prova menor antes. Acho que foi a melhor coisa que fiz, pois a partir desse momento me foquei para tentar vencer esse desafio. E no final, com muito esforço e a duras penas consegui. Foi uma sensação incrível de conquista e de superação.

Gostei muito de todo o ambiente que envolvia o mundo das corridas, mas as primeiras provas que participei fui sozinho. Não conhecia ninguém e me sentia um peixe totalmente fora d´agua. A idéia de parar novamente rondava a minha cabeça, mas dessa vez foi diferente.

Aos poucos fui conhecendo vários outros corredores de diferentes idades, sexo, profissões, ambições, que participavam das corridas não com o objetivo único de vencer, mas de ter sim uma melhor qualidade de vida e de buscarem a superação. O interessante é que a maioria dos atletas são grandes motivadores e incentivadores. Essa atmosfera contagia e tenho certeza que foi isso um dos principais fatores que me permitiram continuar e me manter na prática desse esporte.

Essa interação e integração com os outros atletas foram crescendo com a utilização das redes sociais. Muitos de nós temos blogs divulgando as corridas, quase todos tem facebook, instagram, twitter e até mesmo sites. Isso permite um compartilhamento de informações de forma bastante rápida e interativa.

No início eu imaginava a corrida um esporte solitário. Hoje vejo que estava muito enganado. O ato de correr é individual, mas a prática da corrida pode ser muito coletiva, cercada de muito incentivo e motivação entre os atletas.

Agora, para cada desafio vencido busco logo outro. Tudo para me manter motivado com essa nova vida bem mais saudável que conquistei,  livre de remédios e dietas.

8 comentários:

  1. Show de relato, show de guinada, show de superação. Tenho orgulho de ser teu amigo e fazer parte desse meio. As corridas sem um bom papo e risadas seriam somente correria ... o bom é poder curtir o antes, durante e depois. Grande Abraço e até a primeira próxima que tiver.

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    1. Com certeza, amigo. Apesar de estar anônimo imagino quem seja...rs. Graças a essas amizades que a gente se mantém motivado a continuar nesse esporte. Aliás, agora eu curto muito mais o antes e o depois que o próprio durante...rs. Valeu, abração !!!

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  2. Adorei ler sua historia Eduardo.A corrida é um estilo de vida que vc não quer mais largar.Fazemos muitas amizades e torna a vida mais leve.abraço amigo!!

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    1. Muito obrigado, Taciane. Muito legal te conhecer pessoalmente. Realmente a minha vida mudou completamente e hoje dou muito mais valor a saúde. E com essa grande família dos corredores fica bem mais divertido. Abração, Taci !!!

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  3. Muito bom o site Eduardo, parabens!
    Quando voce iniciou , usou medicamentos para regular pressão alta e colesterol ou só corrida e dieta?
    Abs
    Luiz

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    1. Muito obrigado pela visita, Luiz. Quando comecei a correr eu já estava tendo que tomar os remédios. Depois de uns 6 meses o médico reduziu um pouco a dose e em menos de um ano testamos tirar os remédios e funcionou. Dieta eu praticamente não fiz. Naturalmente a gente acaba buscando uma alimentação mais saudável. Na época eu só deixei de ir em rodízios e buffets livres (exageros). Mas nunca me privei muito das comidas que eu gosto. Valeu !!! Abraço.

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    2. Obrigado pela resposta. Esqueci só de mencionar que conheci seu site pelo podcast por falar em corrida. Abraço e mais uma vez, parabens.

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    3. Legal, Luiz. Foi um prazer. Pessoal do Por falar em Corrida é Dez !!! Muito obrigado. Abraço.

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